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Tensão de Donald Trump e Europa em torno da Groenlândia fragmenta a OTAN, agrada Moscou e ameaça foco diplomático nas negociações de paz na Ucrânia

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Zelenski y Putin, bajo la sombra de Trump: la OTAN dividida por Groenlandia (Foto: Instagram)

A proposta de Donald Trump para abrir novas conversas sobre a possível aquisição da Groenlândia gerou forte reação de países europeus e colocou em evidência fissuras na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Enquanto parte dos aliados busca reagrupar posições em defesa do território autônomo ligado ao Reino da Dinamarca, outras vozes europeias mostram-se receosas de que o debate desvie o foco de temas estratégicos, sobretudo das negociações de paz na Ucrânia. A iniciativa norte-americana acabou agradando autoridades em Moscou, que interpretam o desentendimento como oportunidade para explorar divisões entre as potências ocidentais.

Historicamente, a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca como território autônomo desde 1979, o que já suscitou discussões sobre soberania e recursos naturais na região do Ártico. A ideia evocada por Donald Trump de adquirir a ilha remonta ao modelo de compra de territórios praticado pelos Estados Unidos no século XIX, como no caso do Alasca em 1867. Porém, o debate atual ressurge em momento de tensão geopolítica, em que potências buscam ampliar influência em rotas marítimas e jazidas minerais no Círculo Polar Ártico.

Dentro da OTAN, o episódio revelou que o chamado “artigo 5” poderia ser comprometido se aliados não mantiverem unidade de propósitos. Alguns Estados-membros do grupo transatlântico estudam medidas conjuntas para manifestar apoio público à Dinamarca, enquanto outros evitam uma condenação explícita à proposta de Donald Trump, temendo desgastar ainda mais o diálogo com Washington. Esse quadro de divergências provoca receio de que a aliança perca capacidade de resposta coordenada diante de crises emergentes.

Em Moscou, a reação foi de satisfação cautelosa. Autoridades russas consideram que qualquer fragmentação na OTAN facilita a ampliação de espaços de manobra russa, sobretudo na região do Báltico e do Ártico. O Kremlin entende que a visibilidade dada ao impasse sobre a Groenlândia pode servir para desviar a atenção ocidental de temas sensíveis, como manobras militares russas próximas a fronteiras de Estados-membros bálticos e escandinavos. Para Moscou, o desgaste entre Europa e Estados Unidos fortalece seus argumentos de que a aliança ocidental está em crise.

Esse desgaste diplomático ocorre em paralelo às delicadas negociações de paz na Ucrânia, cujo processo de cessar-fogo e implementação dos acordos de Minsk já enfrenta sucessivos atrasos. Com Estados-membros da OTAN distraídos pelo impasse sobre a Groenlândia, diplomatas receiam que a União Europeia e Washington não dediquem atenção suficiente para mediar a comissão de monitoramento na zona de conflito no leste ucraniano. A efetiva aplicação de medidas de desminagem e de retirada de armas pesadas depende de respaldo político e financeiro que agora pode ficar em segundo plano.

Para compreender o contexto mais amplo, é útil lembrar que a OTAN foi criada em 1949 para garantir a segurança coletiva após a Segunda Guerra Mundial, enquanto os Acordos de Minsk, firmados entre 2014 e 2015, visam pôr fim às hostilidades entre Ucrânia e grupos separatistas no leste do país. Qualquer distração das potências ocidentais pode retardar o reforço das missões de observação da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), que monitora o cumprimento dos termos de cessar-fogo e protege civis em zonas de maior tensão.

Em suma, a proposta de Donald Trump sobre a Groenlândia elevou de modo explícito as contradições entre Washington e Europa dentro da OTAN, despertou o alívio estratégico de Moscou e trouxe o risco real de desviar esforços diplomáticos essenciais para a estabilização da Ucrânia. Resta saber se os aliados transatlânticos conseguirão recuperar o foco comum em defesa dos princípios de segurança coletiva sem descuidar dos desafios humanitários e políticos impostos pelo conflito ucraniano.

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